Sem idade pra sonhar: cada vez mais idosos acessam o ensino superior no Maranhão, assim como ocorre

Dados do IBGE revelam que, em 5 anos, a quantidade de pessoas acima dos 60 no país aumentou quase 20%


É cada vez maior a presença de pessoas acima dos 60 anos de idade nas instituições de ensino superior no Maranhão e no Brasil. A confirmação vem do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que identificou um crescimento de 18% na quantidade de idosos nas salas de aula em busca do diploma da graduação, entre os anos de 2012 e 2017. “Hoje, diz-se que a população brasileira está envelhecendo, pois a expectativa de vida no país se mantém em índice crescente e atingiu, nas revisões feitas em 2018, o maior patamar da história”, evidencia Gabriel Nava, mestre em Ciências Sociais, da Faculdade Estácio São Luís.


De acordo com o IBGE, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro, considerando-se ambos os sexos, subiu de 75,8 anos de idade, em 2016, para 76 anos, em 2017. Levando-se em conta somente a população masculina, a expectativa de vida ao nascer passou de 72,2 anos para 72,5 anos. Já a das mulheres subiu de 79,4 anos para 79,6 anos, de 2016 para 2017.


Para a sociedade como um todo, é um desafio importante preservar a qualidade de vida dos idosos, que, em decorrência da crescente expectativa de vida, buscam realizar sonhos outrora aparentemente impossíveis. Um deles, sem dúvidas, é o acesso ao ensino superior. “A educação para o idoso é uma importante ferramenta para lidar com o processo de envelhecimento e, também, com as dificuldades impostas pela sociedade”, pondera Nava, ao explicar que essa inserção da pessoa idosa tem outros ganhos, para além da própria aquisição de conhecimento.

Motivações

Muitos são os fatores que atraem idosos para as carteiras de uma faculdade. “Muitas pessoas sonharam em estudar e, quando mais jovens, não tiveram a oportunidade; ou então são pessoas que foram pressionadas a se formar em outra área – pressão familiar, que costumava ser muito determinante décadas atrás; a própria escassez de vagas no ensino superior, que no passado era majoritariamente público; ou até mesmo questões pessoais, que envolvem o amadurecimento desse indivíduo enquanto cidadão, que passa a dar mais valor ao conhecimento após uma certa idade, etc. são só algumas prováveis razões pelas quais há cada vez mais idosos em busca do diploma”, destaca a psicóloga Celiane Chagas, do Hapvida Saúde.


Exemplo de determinação após os 60 é o seu Cleomar Carvalho, de 64 anos, que hoje é acadêmico do curso de Direito, na Faculdade Estácio São Luís. Antes de realizar esse grande sonho, ele primeiro constituiu uma família, formou quatro filhos, mas sempre nutrindo aquele desejo da adolescência: tornar-se advogado. “Sempre conversava com minha esposa e dizia que voltaria para a sala de aula para realizar um sonho, de ser um advogado. Admiro essa profissão e não busco ganhar dinheiro com ela, mas sim ajudar as pessoas em busca dos seus direitos. Posso dizer que nunca é tarde para começar, temos que acreditar e lutar pelos nossos sonhos”, orgulha-se o jovem senhor.

Dados do Censo de Educação Superior de 2017, levantamento mais recente com informações de instituições públicas e privadas, no Brasil, há 18,9 mil universitários com idades entre 60 e 64 anos. Na faixa etária acima dos 65, o número é de 7,8 mil pessoas.

Benefícios

De acordo com a psicóloga Celiane Chagas, há vários benefícios para os idosos que buscam esse tipo de conhecimento. “Temos vários aspectos que podem repercutir positivamente, tais como: melhor desenvolvimento profissional para os que ainda trabalham, novas e prazerosas relações sociais, novos interesses, que favorecem positivamente aspectos biológicos, psíquicos e sociais e são promotores de saúde física e mental”, revela a especialista.


A psicóloga acrescenta que todos esses benefícios trazem a possibilidade de enxergar o idoso pelas suas histórias de vida e entender quais os fatores o impulsionam a retornar aos estudos após os 60 anos, após longo tempo afastado dos bancos escolares, e como ele aprende e se relaciona com os colegas em sala de aula e consigo mesmo.


(PARA QUADRO – BENEFÍCIOS DO RETORNO AO ENSINO SUPERIOR)


1. Aquisição de novos conhecimentos

O que todos os estudantes universitários têm em comum? Geralmente, o desejo de aprender; a sede pelo conhecimento e do saber. Para o aluno de terceira idade, esse sentimento é ainda mais forte, pois nessa fase da vida ele não tem mais pressão da família nem, na grande maioria, não está mais em busca de conseguir um emprego ou evoluir em sua carreira profissional. A aquisição de novos conhecimentos é muito importante para os mais vividos continuarem expandindo sua visão de mundo e ficarem por dentro de tudo o que está acontecendo, principalmente em relação à temática escolhida para estudar.


2. Manter-se ativo e participativo

Para a qualidade de vida do idoso, é fundamental ter pertencimento e estar inserido em grupos sociais, para se sentir conectado ao momento em que vive. Ao voltar à vida acadêmica, presencial ou à distância, além de absorver novos conhecimentos, você também pode contribuir para a expansão da pesquisa, para a produção científica, participar de discussões e muito mais. Assim, você adquire novas habilidades e se mantém inserido na área de estudos que escolheu — seja ela um interesse recente, o aprofundamento em um segmento que já era conhecido, porém sem a atenção desejada.


3. Gerar renda extra

Muitos idosos precisam — ou escolhem — continuar trabalhando mesmo depois da aposentadoria. Um dos motivos para isso é a vontade de continuar ativo e produtivo. Nesse sentido, pode ser que a faculdade na terceira idade aumente suas oportunidades de trabalho e gere uma renda adicional. As oportunidades são muitas, entre elas fazer trabalhos por conta própria: produzir conteúdo, oferecer consultorias, lecionar. Muitas vezes, além da chance de aumentar os rendimentos, é possível até mesmo descobrir uma nova vocação!


4. Dedicar-se à autorrealização

É comum, ao chegarem à terceira idade, muitas pessoas constatarem que levaram uma vida em que, para atender às necessidades financeiras, profissionais e familiares, deixaram de lado seus interesses pessoais verdadeiros. Entretanto, isso não significa que elas não possam ainda sair em busca de realizar seus ideais e a aposentadoria, com a disponibilidade que esse período costuma ter, pode ser o tempo ideal para isso.

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