Boneca Momo: ela tem mesmo culpa?

Especialistas orientam como agir com as crianças e indicam atividades em família para melhor desenvolver os pequeninos



Era para ser só uma escultura em um museu no Japão, mas a tão comentada nos últimos meses boneca Momo tem feito fama como uma monstrinha aterrorizante capaz de deixar até adultos com o cabelo em pé. Com rosto de mulher, olhos esbugalhados e corpo de ave, Momo ficou mundialmente conhecida em julho de 2018, quando começou a viralizar nas redes sociais uma espécie de desafio em que pessoas, usando a imagem da boneca, faziam contato com crianças e adolescentes e, durante a conversa, incentivavam os pequeninos a realizar “tarefas” perigosas, que frequentemente envolviam se ferir ou machucar alguém.


Ali, ocorreu o primeiro auge do alarde entre pais e mães provocado pelo jogo sem graça e prejudicial. A Momo passou um tempo sumida, ou pelo menos não tão comentada, quando, de repente, ressurgiu agora, de uma forma preocupante e até mais assustadora. Relatos dão conta de que, na plataforma de vídeos Youtube – incluindo a versão infantil, chamada Youtube Kids, com filtros para diversos tipos de publicações – há vídeos postados aleatoriamente que parecem ser inofensivos, com crianças ensinando a fazer slime (massinha grudenta à base de tinta e cola), cantando músicas ou abrindo pacotes de brinquedos; mas que, no meio da exibição, são abruptamente interrompidos pelas aparições da Momo, que ensina os pequenos e inocentes espectadores a cortarem os pulsos com lâminas e facas. Segundo as famílias que fizeram as primeiras denúncias, Momo ameaça aparecer para matar a criança e as pessoas mais próximas dela, caso ela não execute o desafio do suicídio. Em menos de trinta segundos, o vídeo original é retomado, como se nada tivesse acontecido.


Alerta de mãe

Algumas mães chegaram a fazer postagens de alerta, tanto nas contas das redes sociais quanto nos grupos de conversa, confidenciando que testemunharam mudanças de comportamento nos filhos ou atitudes estranhas. Uma delas é a enfermeira Milena Oliveira, mãe da Beatriz, de 7 anos. “Nunca deixei Bia ficar muito tempo em celular, mas ela ficou sabendo dessa Momo e tinha a cara da boneca em vários vídeos no Youtube, então a minha filha desenvolveu um medo inacreditável de tudo. Não queria ficar sozinha em canto nenhum da casa, achando que essa boneca poderia mesmo aparecer. Então, tomei uma atitude mais dura. Além de conversar muito e mostrar que isso é só uma invenção digital, eu proibí o uso de tablet e celular durante a semana inteira; agora ela só usa aos sábados, com a minha supervisão e por um tempo mínimo”, revela Milena, que se reconhece uma mãe exigente e cuidadosa.


Preocupada com a segurança dos filhos, a jornalista Roberta Gomes discorreu sobre o tema em uma das redes sociais que utiliza na internet. Roberta comentou que pais e mães precisam se conscientizar de que as ações das crianças são de responsabilidade da família. “Vamos falar sério: o problema maior de tudo isso é que muitos pais e mães querem terceirizar seus filhos; não querem gastar o precioso tempo que têm para sentar e brincar, acompanhar o que eles estão assistindo e assistir junto com eles; conversar com eles e orientá-los”, pontua a jornalista.


Equilíbrio


Nesse cenário, em que algumas famílias buscam culpados, outras tomam medidas drásticas e outras refletem sobre como devem agir com os filhos, o ideal é buscar equilíbrio e bom senso. A indicação é da psicóloga Celiane Chagas, do Hapvida Saúde, que diariamente recebe no consultório casos de crianças, adolescentes e até adultos com transtornos causados pelo vício em aparelhos eletrônicos. “O universo de vídeos, jogos e outros conteúdos online é muito vasto e grande parte de tudo o que é produzido hoje é direcionado ao público infantil, pois são ‘presas’ mais fáceis. A sugestão é que as famílias dialoguem, estipulem regras claras quanto ao uso desses aparelhos (tempo, frequência e tipo de conteúdo que é acessado) e expliquem aos filhos as razões de tudo, pois assim eles entenderão tudo, em vez de se rebelarem pelas restrições impostas pelos pais e mães”, orienta a psicóloga.


Outro ponto que precisa ser acompanhado de perto – e revisto – é a grande e massiva oferta de produtos que esses conteúdos online apresentam ao público infantil. A publicitária Aline Mendes, que coordena o curso de Publicidade e Propaganda na Faculdade Estácio São Luís, orienta que os pais e mães, assim como outros membros da família, não deixem informações de pagamento nas lojas de aplicativos para compras automáticas. “Na maioria das vezes, um jogo que é gratuito vem cheio de ofertas para serviços e outros aplicativos que são pagos. As crianças olham e desejam, sem se dar conta, até pela falta de maturidade para questões financeiras, que aquilo é dinheiro e deve ser empregado da melhor forma”, sugere Aline.


A especialista também lembra que toda essa publicidade direcionada ao público infantil pode causar sentimento de frustração e até raiva, em alguns casos. “Se uma criança está num jogo que requer um artifício pago e não dá pra ela acessar, essa frustração acumulada pode ser muito prejudicial pra criança, podendo torná-la um adolescente ou adulto impulsivo”, ressalta.


Literatura


Agora há uma dica que é ponto comum em todas as orientações profissionais sobre como melhorar o desenvolvimento das crianças, tanto cognitivo quanto socialmente; e ela é mais antiga do que se imagina: a leitura de livros. “A literatura propicia tantos benefícios! Seja uma contação de história, em que um adulto lê para uma criança, ou a leitura pura e simples feita pelos próprios pequeninos, o ato de imaginar é fundamental para desenvolver a cognição. E a leitura feita no livro mesmo passando as páginas, descobrindo cada parte da história, com apoio das ilustrações – quando há – é ainda mais eficiente nesse processo”, indica Thalyta Fróes, pedagoga responsável pelo NAP – Núcleo de Apoio Psicopedagógico – da Estácio São Luís.


Pensando nisso, o Rio Anil Shopping apresenta um evento diferente, que pretende conectar as famílias de maneira real e íntima: é a Feira de Livros Letrinha, que ficará em cartaz até o dia 21 de abril. “São centenas de títulos à disposição do público, com obras para crianças e adultos, para todos os gostos. A ideia é permitir que as famílias interajam em um ambiente pensado para esse fim”, destaca Natália Zerbini, gerente de marketing do Rio Anil Shopping.


A cada fim de semana, dois circuitos diferentes farão o público interagir e se divertir bastante. No Circuito Infantil, que tem início sempre às 15h, a aprendizagem vai ficar por conta das oficinas criativas, aulas de pintura, de slime e o “bola mania”. Já no Circuito Volts, capitaneado pelo projeto cybercultural maranhense Volts, os debates e rodas de bate-papo serão sobre séries, filmes e mangás, sempre a partir das 16h30.

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