Cultura do “faça você mesmo” ganha força durante isolamento social

DIY (“Do it yourself”) é impulsionado por tutoriais na internet

Basta um clique e qualquer pessoa pode aprender coisas novas. Seja a “receita de um prato que sempre quis fazer”, ou “como fazer lembranças de casamento”; fato é que, com o tempo maior em casa, devido ao isolamento social, diversas pessoas resolveram experimentar fazer algo sozinhas pela primeira vez, ou aumentar a frequência de uma produção caseira que já era feita esporadicamente antes da quarentena.



Apaixonada por plantas, a empresária Joana Cristina viu sua loja de roupas fechar as portas no início da pandemia do novo coronavírus. Além de uma renda extra, o negócio servia como uma terapia para a empresária, que passou a viver só com o marido depois que os dois filhos se casaram. Para passar o tempo, Joana Cristina resolveu investir em hortaliças e contou com a ajuda de tutoriais na internet. “Primeiro comecei a ver alguns perfis nas redes sociais, depois fui para o Youtube e encontrei várias dicas e passo a passo de como montar uma horta em casa”, conta Joana, que apresenta com orgulho a nova horta no quintal de casa.

Assim como Joana, outras milhões de pessoas buscaram na cultura do “Faça você mesmo” uma forma de passar o tempo e, até mesmo, de conquistar uma renda extra durante a pandemia. Para se ter ideia, este ano, por consequência da Covid-19, pesquisas sobre “como fazer máscara de tecido?” e “como fazer álcool em gel” dispararam, segundo dados do Google – maior site de buscas do mundo.


Dados do Google Trends, ferramenta do Google que mostra os mais populares termos buscados na internet, de 14 a 20 de junho a busca cresceu 100%, sendo o estado do Mato Grosso do Sul líder nas pesquisas. Entre os assuntos mais procurados quando o assunto é “Faça você mesmo”, artes decorativas ocupa o primeiro lugar.

Cultura do “faça você mesmo”

A cultura do “faça você mesmo” ou “Do It Yourself (DIY)”, como é mundialmente conhecida, surgiu nos programas matinais e vespertinos da TV, focados especialmente no público feminino. Mas a grande massificação veio mesmo com a Internet.

DIY se refere à prática de fabricar ou reparar algo por conta própria, em vez de comprar um produto industrializado ou contratar um profissional. A prática vem ganhando cada vez mais espaço e, hoje, engloba qualquer área de atividade, como artesanato, design de interiores, mobiliário, gastronomia, estética, etc.

Benefícios para a mente

Mais que estimular o processo de criação, o DIY serve como processo terapêutico. Para a psicóloga Celiane Chagas, do Hapvida Saúde, o bem-estar causado pela ideia pode ajudar a distrair durante o isolamento. “Tudo o que puder aliviar a mente é válido, pois a pandemia mexeu demais com o psicológico de todos, gerando fatores que levam a certo nível de ansiedade, medo e insegurança”, esclarece.

A especialista lembra que fazer atividades mais prazerosas, que antes não tinham tempo de realizar, como estudar, ler, ver filmes e séries, cozinhar, fazer trabalhos manual e, até mesmo, cuidar do físico são opções simples e que estão ao alcance de todos.

“Os brasileiros estavam acostumados com uma vida agitada e, de repente, ficaram confinados em casa, isso tudo trouxe uma mudança grande. O fato da pessoa ficar muito tempo em casa levou muitos a buscarem formas de ocupar a mente, pois não fazer absolutamente nada pode trazer incômodos”, destaca. “Cada pessoa criou uma forma diferente de lidar com a quarentena para que ficasse menos ociosa e conseguir passar pelo tédio. As pessoas foram descobrindo novos hábitos, muitos começaram a cozinhar, a fazer artesanato. Alguns têm feito até pequenas reformas em casa para que o lar se torne mais aconchegante. E tudo isso é de suma importância para ocupar a mente e aprender novas coisas”, completa a especialista.

Exemplos na prática



Ocupar a mente e aprender algo novo foi exatamente o que a micro empresária Vânia Bezerra fez, ao aproveitar o tempo em casa para produzir forminhas de brigadeiro personalizadas para o aniversário de dois anos do filho. “Sempre que quero aprender algo novo, recorro à internet, afinal, é uma forma prática e barata de agregar conhecimento. Foi então que aprendi a montar as forminhas e deixar a festinha do meu filho ainda mais encantadora”, revela.



Já a dona de casa Andreia Cordeiro aproveitou a oportunidade do DIY e o tempo livre para se aperfeiçoar na cozinha e, de quebra, fez até um curso de confeitaria on-line. “Sempre testo algumas receitas que vejo no Instagram e tento fazer em casa, mas desta vez aproveitei o tempo sobrando em casa para estudar e me aperfeiçoar”, conta.

Renda extra


Quem encontrou no tempo livre uma oportunidade de completar a renda foi a administradora Eronildes Lima, que passou a produzir toalhas bordadas à mão e comercializá-las. “Aprendi o básico sobre crochê há muitos anos e agora resolvi voltar com o trabalho manual. Passo muito tempo sozinha em casa e a atividade chegou em boa hora, juntei o útil ao agradável. Alguns vídeos no Youtube me ajudaram a relembrar os pontos”, reconhece Eronildes que, transformou um hobby em negócio.

Se tem algo que Vânia, Andrea e Eronildes passaram a valorizar, depois que começaram fazendo algumas coisas sozinhas, foi valorizar ainda mais o serviço do outro. “Às vezes, questionamos o preço e não nos atentamos para valorizar o processo e o trabalho que deu para preparar um bolo ou uma lembrança, por exemplo”, lembra Eronildes Lima.



Para a psicóloga Celiane Chagas, essa será uma tendência para o pós-pandemia. “Depois de toda experiência da pandemia, muitos darão mais valor a outros profissionais. Um exemplo são os pais e mães que estão tendo que auxiliar os filhos com as tarefas da escola em casa. De uma forma geral, a pandemia serviu como uma forma de ressignificar os valores, desejos e transformar o olhar mais sensível para a nova realidade”, conclui a psicóloga.

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