Manda nudes!

Especialistas comentam a procura crescente por sexo virtual durante isolamento social


Pode até ser que você nunca tenha se fotografado em um momento mais íntimo, mas certamente já viu alguma imagem compartilhada nas redes sociais dos famosos nudes: fotos de partes do corpo nu de alguém. Mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, a prática de “dar like” ou compartilhar nudes já era muito forte com as tecnologias de comunicação, e não apenas entre pessoas desconhecidas, paqueras ou casais de namorados. “Mesmo homens e mulheres casados há anos, ou décadas, podem ter o fetiche de se ver nus uns com os outros. Só que, antes, o espelho do quarto cumpria esse papel. Agora, é o smartphone”, analisa Celiane Chagas, psicóloga do Hapvida Saúde.

Durante o isolamento social, o fetiche por esse tipo de conteúdo parece ter ficado mais intenso e, com isso, a procura por fotos de nudez aumentou nas plataformas digitais. O estudante de engenharia Diego Miranda* (nome fictício) conta que a vida sexual também mudou com o isolamento. “Não tem como sair de casa, antes sempre conhecia alguém em uma balada e assim tinha parceiros fixos, ou marcava pelos aplicativos. Agora, estou preso aqui e o único jeito é o prazer virtual”, admite o estudante.

Ex-tabu

O que já foi considerado tabu agora é tratado abertamente por órgãos de saúde em todo o mundo, dentro dos protocolos de isolamento decorrente da pandemia. Nos Estados Unidos, a prefeita de Nova Iorque divulgou uma nota recomendando que “a masturbação é a melhor forma de evitar o contágio. Você é o seu parceiro sexual mais seguro”, apresentava o texto.

No Brasil, uma recomendação do Governo Federal que partiu do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, aconselhava profissionais do sexo a fazerem atendimento on-line. Para os psicólogos e especialistas, orientações desse tipo são necessárias para que se preserve o equilíbrio mental durante o isolamento social.

“De modo geral, as tecnologias de comunicação permitem que as pessoas tenham um contato virtual, com estímulos sensoriais diferentes. Nesse caso, sai o contato físico humano-humano e entra o conteúdo da imaginação. A prática não apenas do sexo virtual, mas da masturbação também, são, inclusive, indicadas para o alívio das tensões por meio do orgasmo, que desperta os hormônios causadores da sensação de prazer e satisfação”, destaca a psicóloga Celiane Chagas.

O movimento de busca pelo prazer virtual também pode ser traduzido em números: o site PornHub, que produz conteúdo pornográfico, destacou que o Brasil teve um crescimento de quase 29% nos acessos do mês de março, acima da média mundial, que foi de 24%. No Twitter, uma das poucas redes sociais que permitem compartilhar fotos e vídeos com conteúdo adulto, crescem a cada dia perfis e publicações de cunho sexual, onde o objetivo principal é único e objetivo: o prazer sexual durante o isolamento.

Benefícios e malefícios Revelar intimidades não é uma novidade, mas é algo que ficou potencializado pelo advento da tecnologia. “Décadas e séculos atrás, poetas escreviam romances carregados de erotismo em folhas de papel. Casais apaixonados trocavam cartas apimentadas. Depois, com a chegada da internet, vieram as trocas de e-mail, mensagens SMS em celular e, agora, temos os smartphones com os aplicativos que permitem o compartilhamento de todo tipo de conteúdo. Ou seja, o desejo de ver a nudez é bastante antigo, eu diria que até mesmo isso é natural do ser humano. O que tem de diferente é a evolução das telecomunicações”, opina Gabriel Nava, pesquisador e cientista social da Estácio São Luís.

O estudioso lembra, ainda, da inspiração dos artistas pintores e escultores, que desde as civilizações mais antigas, já demonstravam grande atração pelo corpo humano. “Basta ver as estátuas gregas, as mais diversas representações artísticas, dos primórdios até a tão contemporânea cultura pop”, salienta Gabriel Nava.

Portanto, fazer e mandar nudes é algo que só pode é causar bastante prazer sim. “Contemplar a natureza do outro, descobrir partes do corpo de quem se ama ou se deseja apenas, alimentar o tesão entre casais e apimentar a relação são apenas alguns dos motivos que levam as pessoas a fazerem e mandarem nudes”, justifica a psicóloga Celiane Chagas.

Entretanto, é preciso que se tome uma série de cuidados, pois quem decide entrar nessa brincadeira tem que calcular muito bem todos os riscos que corre. “Uma simples foto íntima que vaza na internet pode resultar no julgamento social daquela pessoa e, consequentemente, afetar questões como o trabalho e o relacionamento dela com outras pessoas”, alerta Celiane.

Vício em pornografia O único problema nesse momento é quando o sexo virtual e o consumo de fotos e vídeos pornográficos atrapalham a rotina, mesmo em situação de isolamento em casa, como ressalta Celiane Chagas: “Aí já é o caso de avaliar se o prazer virou vício e se isso vai atrapalhar a vida. Não é porque precisamos estar em casa o tempo inteiro que deixaremos de cumprir as nossas obrigações. Nesse momento, o mais correto é buscar ajuda e tentar manter um equilíbrio”.

Crime X Prazer Consumir esse tipo de conteúdo ou compartilhar fotos de nudez não autorizadas é crime. Por isso, é preciso que se tenha consciência do risco que se corre, quando alguém decide se permitir fotografar sem roupas. “Uma vez na rede, essas imagens podem ser acessadas por qualquer pessoa. Até mesmo a própria pessoa que recebeu as fotos, sem o consentimento de quem as enviou, pode vir a compartilhar as imagens íntimas”, alerta Odilardo Muniz, delegado da SEIC, responsável pela investigação de crimes cibernéticos.

Então, já sabe: se bater vontade de admirar o próprio corpo ou de provocar o desejo de alguém, melhor evitar enviar nudes a quem não se conhece tão bem. As chances de alguém conhecido, com quem já se tem um relacionamento sério ou duradouro baseado no respeito, vazar fotos desse tipo são bem menores, em comparação ao risco que se corre com pessoas desconhecidas, aventureiras.

Nesse caso, prefira palavras picantes que acendam a chama do desejo. Afinal, se no passado elas viraram poesias inesquecíveis, agora, durante o isolamento, podem vir a ser prosa que se precisa para quando tudo isso passar e a vida voltar ao normal.

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